sábado, 15 de agosto de 2015

LIsta de autores para Gabriel

Marginais, marginalizados, viés social
Marcelino Freire
Marçal Aquino
Fernando Bonassi
Ferréz
Luiz Ruffato
Paulo Lins
Luís Francisco Carvalho Filho
Gayrant Gallo
Ivana Arruda Leite
Ronaldo Correia de Brito
Alberto Musa


Popismos e tramas surreais

Verônica Stigger
Nelson de Oliveira
Clarah Averbuck
Andrea del Fuego
Marcelo Mirisola
Lourenço Mutarelli
Santiago Nazarian
Natércia Pontes
Fabrício Carpinejar
Ademir Assunção
Adriana Lisboa
Cecilia Gianneti
Chico Matoso
Edson Cruz
Joca Reiners Terron
Paulo Scott
Ronaldo Bressane
Alberto Martins
Patricia Melo
Evandro Affonso Ferreira



Transgressores matrizes
Rubem Fonseca
Dalton Trevisan
Valêncio Xavier
João Antônio


Transcendentes e existencialistas
Hilda Hilst
Raduan Nassar
Osman Lins
Clarice Lispector
João Guimarães Rosa

Nuno Ramos


Intimistas, feministas, autores com causa
Lygia Fagundes Telles
Caio Fernando Abreu
Marcia Denser
Beatriz Bracher
Cristóvão Tezza
Marina Colasanti
Wander Piroli
Wilson Bueno
Sérgio Santana
João Gilberto Noll
Luís Vilela
Ivan Ângelo
Silviano Santiago



Novos intimismos
Daniel Galera
Rubens Figueiredo
Adriana Lisboa
Michel Lub
João Anzanello Carrascoza
Bernardo Carvalho
Cíntia Moscovich
Tercia Montenegro
Heloisa Seixas
Paloma Vidal



Os Melhores Jovens Escritores Brasileiros segundo a revista GRANTA

Cristhiano Aguiar, da Paraíba
Javier Arancebia Contreras, de Salvador, de família chilena
Vanessa Barbara, de São Paulo
Carol Bensimon, de Porto Alegre
Miguel del Castilho, nasceu no Rio de Janeiro de pai uruguaio
João Paulo Cuenca, do Rio de Janeiro
Laura Erber, do Rio de Janeiro
Emilio Fraia, de São Paulo
Julian Fuks, de São Paulo
Daniel Galera, de São Paulo, mas morador de Porto Alegre
Luiza Geisler, de Canoas, mais nova, nasceu em 1991
Vinícius Jatobá, do Rio de Janeiro
Michel Laub, de Porto Alegre
Ricardo Lísias, de São Paulo
Chico Mattoso, nasceu na França, mas cresceu em SP
Antônio Prata, de São Paulo
Carola Saavedra, nasceu no Chile, mora no Rio
Tatiana Salem Levy, do Rio de Janeiro
Leandro Sarmatz, do Rio Grande do Sul
Antônio Xerxenesky, do Rio Grande do Sul







Cristhiano Aguiar nasceu em Campina Grande, Paraíba, e formou-se em Letras pela Universidade Federal de Pernambuco. Tem 31 anos. Em 2006, publicou o livro de contos "Ao lado do muro" (Dinâmica) e em 2007 venceu o Prêmio Osman Lins de contos. Lançou, em 2010, durante a FreePorto (PE), o folheto de narrativas "Os justos", em edição artesanal pela Moinhos de Vento. É colaborador do suplemento literário Pernambuco. Editou a revista de arte e cultura pop Eita! (http://issuu.com/revistaeita) e a revista literária Crispim (www.revistacrispim.com.br). Foi curador e coordenador do Festival Recifense de Literatura e coorganizou a antologia de contos "Tempo bom" (Ed. Iluminuras). Atualmente trabalha em seu primeiro romance e em ensaios sobre literatura brasileira contemporânea. “Teresa” faz parte de Silêncio, livro de contos inédito.
Javier Arancibia Contreras nasceu em Salvador, BA, após sua família migrar do Chile durante o período de ditadura militar, mas vive desde a adolescência em Santos, SP. Escreveu os romances "Imóbile" (Editora 7Letras, 2008), finalista do Prêmio São Paulo de Literatura, e "O dia em que eu deveria ter morrido" (Editora Terceiro Nome, 2010), premiado com uma bolsa literária do Governo do Estado de São Paulo. É também roteirista de cinema e, durante os anos em que trabalhou como repórter policial, escreveu um livro-reportagem/ensaio biográfico sobre o dramaturgo Plínio Marcos ("A crônica dos que não têm voz", Boitempo Editorial, 2002).
Vanessa Barbara nasceu em junho de 1982 no bairro do Mandaqui, em São Paulo. É jornalista, tradutora e escritora. Publicou "O livro amarelo do terminal" (Cosac Naify, 2008, prêmio Jabuti de Reportagem), o romance "O verão do Chibo" (Alfaguara, 2008, em parceria com Emilio Fraia) e o infantil "Endrigo, o escavador de umbigo" (Editora 34, 2011), ilustrado por Andrés Sandoval. Como tradutora, recentemente lançou sua versão de "O grande Gatsby" (Penguin/Companhia das Letras). É editora do site A hortaliça (www.hortifruti.org) e cronista do jornal Folha de S.Paulo. "Noites de alface" é um trecho de seu próximo romance.
Carol Bensimon nasceu em 22 de agosto de 1982, em Porto Alegre. Fez mestrado em escrita criativa na PUC-RS e viveu dois anos em Paris. Alguns de seus contos foram publicados em revistas e coletâneas. Seu primeiro livro de ficção, composto por três novelas, é "Pó de parede" (Não Editora, 2008). Em 2009, publicou pela Companhia das Letras o romance "Sinuca embaixo d’água", finalista dos prêmios São Paulo, Jabuti e Bravo!. O trecho publicado em Granta faz parte de seu novo romance, Faíscas.
Filho de pai uruguaio e mãe carioca, Miguel Del Castillo nasceu no Rio de Janeiro, formou-se em arquitetura pela PUC-Rio e mudou-se para São Paulo em 2010, onde atualmente é editor da Cosac Naify. Foi editor da revista Noz, de arquitetura e cultura, e recebeu o prêmio Paulo Britto de Poesia e Prosa com o conto “Carta para Ana”, publicado na Antologia de prosa Plástico Bolha (Editora Oito e Meio, 2010). Tem 25 anos e trabalha, atualmente, em seu primeiro livro de contos, do qual “Violeta” faz parte.
João Paulo Cuenca nasceu no Rio de Janeiro, em 1978. Participou de diversas antologias no Brasil e no exterior e é autor dos romances "Corpo presente" (Planeta, 2003), "O dia Mastroianni" (Agir, 2007) e "O único final feliz para uma história de amor é um acidente" (Companhia das Letras, 2010), publicado também em Portugal, na Espanha e na Alemanha. Em 2007, foi selecionado pelo Festival de Hay e pela organização do festival Bogotá Capital Mundial do Livro como um dos 39 autores mais destacados da América Latina com menos de 39 anos. “Antes da queda” faz parte de seu próximo romance, a ser publicado em 2013.
Laura Erber nasceu em 1979 e mora no Rio de Janeiro. É artista visual, formada em letras, com doutorado em literatura pela PUC-Rio, foi escritora em residência na Akademie Schloss Solitude de Stuttgart e no Pen Center de Antuérpia. Publicou contos e ensaios em diversas revistas e tem quatro livros de poesia, entre eles "Insones" (7Letras, 2002) e "Os corpos e os dias" (Editora de Cultura, 2008), finalista do Prêmio Jabuti na categoria poesia. Prepara um livro sobre Ghérasim Luca pela Eduerj e, atualmente, trabalha em seu primeiro romance, "Os esquilos de Pavlov", a ser publicado pela Alfaguara em 2013.
Emilio Fraia é editor de literatura da editora Cosac Naify. Publicou no Brasil autores como Enrique Vila-Matas, Antonio Tabucchi, Macedonio Fernández e William Kennedy. Nasceu em São Paulo em 1982. Como jornalista, foi repórter das revistas Piauí e Trip. Escreveu, em parceria com Vanessa Barbara, o romance "O verão do Chibo" (Alfaguara, 2008), finalista do Prêmio São Paulo de Literatura, e atualmente termina a graphic novel "Campo em branco" (Companhia das Letras) com o ilustrador DW Ribatski.
Julián Fuks nasceu em novembro de 1981, em São Paulo. Filho de pais argentinos, foi repórter da Folha de S. Paulo e resenhista da revista Cult, além de publicar contos em diversas revistas e na antologia Primos: histórias da herança árabe e judaica (Record, 2010). É autor de "Fragmentos de Alberto, Ulisses, Carolina e eu" (7Letras, 2004), "Histórias de literatura e cegueira {Borges, João Cabral e Joyce}" (Record, 2007), finalista dos prêmios Portugal Telecom e Jabuti, eProcura do romance (Record, 2011).
Daniel Galera nasceu em 1979, em São Paulo, mas passou a maior parte da vida em Porto Alegre. É um dos criadores da editora Livros do Mal, pela qual publicou o volume de contos "Dentes guardados" (2001). É autor dos romances "Até o dia em que o cão morreu" (Livros do Mal, 2003), adaptado para o cinema, "Mãos de cavalo" (Companhia das Letras, 2006), publicado também na Itália, na França, em Portugal e na Argentina, e "Cordilheira" (Companhia das Letras, 2008), vencedor do Prêmio Machado de Assis de Romance, da Fundação Biblioteca Nacional. Em conjunto com o desenhista Rafael Coutinho, publicou em 2010 a graphic novel "Cachalote". “Apneia” faz parte de um romance em andamento.
O livro de estreia de Luisa Geisler — Contos de mentira(Record, 2011) — foi escolhido pelo Prêmio SESC de Literatura 2010/2011 na categoria conto. No ano seguinte, o mesmo prêmio escolheu sua novela de estreia — "Quiçá" (Record, 2012) — na categoria romance. Atualmente, ela é colunista da página final da revista Capricho. Luisa nasceu em 1991 em Canoas, RS. Contudo, passa boa parte do seu tempo em Porto Alegre, estudando Ciências Sociais (UFRGS) e Relações Internacionais (ESPM/RS), e escrevendo sentada no chão do metrô.
Vinicius Jatobá nasceu em 1980, no Rio de Janeiro. É mestre em Estudos de Literatura pela PUC-Rio e estudou roteiro e direção na New York Film Academy (NYFA). Como crítico literário, colabora com os suplementos “Sabático” (O Estado de S. Paulo), “Prosa & Verso” (O Globo) e na revista Carta Capital. Participou com contos na antologia Prosas Cariocas(Casa da Palavra) e no catálogo de cinema 68 Cinema Utopia Revolução (Caixa Cultural São Paulo). Publicou ficção, crônicas e jornalismo em sites e revistas como EntreLivros, NoMínimo, Rascunho e Terra Magazine, onde foi colunista de livros e de cinema. Escreveu e dirigiu diversos curtas, entre eles "Alta Solidão" (2010) e "Vida entre os mamíferos" (2011). Trabalha em seu primeiro romance, "Pés Descalços", e finaliza a reunião de contos "Apenas o vento", de onde “Natureza--Morta” foi retirado.
Escritor e jornalista, Michel Laub publicou cinco romances, todos pela Companhia das Letras. Entre eles, "Longe da água" (2004), publicado também na Argentina (EDUCC), "O segundo tempo" (2006) e "Diário da queda" (2011), que teve os direitos vendidos para o cinema, recebeu os prêmios Brasília e Bravo/Bradesco e sairá na Alemanha (Klett-Cotta), Espanha (Mondadori), França (Buchet/Chastel) e Inglaterra (Vintage). Nasceu em Porto Alegre, em 1973, e vive atualmente em São Paulo.
Ricardo Lísias nasceu em 1975, em São Paulo. É autor de "Anna O. e outras novelas" (Globo), finalista do Prêmio Jabuti de 2008, "Cobertor de estrelas" (Rocco), traduzido para o espanhol e o galego, "Duas praças" (Globo), terceiro colocado no Prêmio Portugal Telecom de Literatura Brasileira de 2006, e "O livro dos mandarins" (Alfaguara), finalista do Prêmio São Paulo de Literatura de 2010, atualmente sendo traduzido para o italiano. Em 2012, publicou o romance "O céu dos suicidas" (Alfaguara). Seus textos já foram publicados também na revista Piauí e nas edições 2 e 6 de Granta em português.
Chico Mattoso nasceu na França, em 1978, mas sempre viveu em São Paulo. Formado em  letras pela USP, foi um dos editores da revista Ácaro e tem textos publicados em diversos jornais e revistas. Longe de Ramiro (Editora 34, 2007), seu primeiro romance, foi finalista do prêmio Jabuti. Em 2011, publicou pela Companhia das Letras seu segundo livro, "Nunca vai embora". Também trabalha como roteirista. Mora atualmente em Chicago, onde estuda escrita dramática na Northwestern University.
Antonio Prata nasceu em 1977, em São Paulo, e tem nove livros publicados, entre eles "Douglas" (Azougue Editorial, 2001), "As pernas da tia Corália" (Objetiva, 2003), "Adulterado" (Moderna, 2009) e, mais recentemente, "Meio intelectual, meio de esquerda" (Editora 34,2010), que reúne crônicas publicadas em jornais e revistas. Mantém uma coluna às quartas no caderno “Cotidiano” do jornal Folha de S.Paulo e escreve para televisão.
Carola Saavedra nasceu no Chile, em 1973, mas aos três anos de idade se mudou para o Brasil. Morou na Espanha, na França e na Alemanha, onde concluiu um mestrado em comunicação. Vive atualmente no Rio de Janeiro. É autora do livro de contos "Do lado de fora" (7Letras, 2005) e dos romances "Toda terça" (2007), "Flores azuis" (2008 — eleito melhor romance pela Associação Paulista de Críticos de Arte) e "Paisagem com dromedário" (2010 —Prêmio Rachel de Queiroz na categoria jovem autor), publicados pela Companhia das Letras.
Tatiana Salem Levy é escritora, tradutora e doutora em estudos de literatura pela PUC-Rio. É autora do ensaio "A experiência do fora: Blanchot, Foucault e Deleuze" (Civilização Brasileira, 2011) e dos romances "A chave de casa" (Record, 2007) — vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura, categoria romance de estreia, e publicado também em Portugal, França, Espanha, Itália, Turquia e Romênia — e "Dois rios" (Record, 2011), que sairá em breve em Portugal e na Itália. Nasceu em Lisboa, em 1979, e vive no Rio de Janeiro.
Leandro Sarmatz vive em São Paulo desde 2001, onde trabalhou nas editoras Abril e Ática, e atualmente trabalha na Companhia das Letras, editando, entre outros autores, Carlos Drummond de Andrade, Pedro Nava e Otto Lara Resende. É poeta, contista, dramaturgo e nasceu em Porto Alegre em 1973. Mestre em Teoria Literária, é autor da peça "Mães & sogras" (IEL, 2000), dos poemas de "Logocausto "(Editora da Casa, 2009) e dos contos reunidos em "Uma fome" (Record, 2010).
Ficcionista nascido em 1984, em Porto Alegre, Antônio Xerxenesky formou-se em letras e é mestre em literatura comparada pela UFRGS. Colabora com resenhas e críticas para diversos jornais e revistas e foi um dos fundadores da Não Editora, em 2007, por onde lançou seu primeiro romance, "Areia nos dentes", em 2008. Seu livro mais recente é a coletânea de contos "A página assombrada por fantasmas", editado pela Rocco em 2011. O texto selecionado faz parte de seu novo romance, "F para Welles".

segunda-feira, 13 de abril de 2015

A nova literatura brasileira: Jovem, branca, urbana e de classe média

A nova literatura brasileira: Jovem, branca, urbana e de classe média

A última geração de escritores brasileiros se distancia do exotismo e cultiva uma narrativa cosmopolita e global


Se houvesse uma hashtag do escritor brasileiro com menos de 40 anos seria homem, branco, urbano, cosmopolita e indiferente a contrastes brutais de realidades sociais. "Este é um país muito desigual", disse Antonio Prata (São Paulo, 1977), cujas histórias, que concilia com colaborações para a Folha de S.Pauloe com roteiros para a televisão, estão ambientadas em sua cidade natal e refletem, de certa maneira, o elevador social de uma das megalópoles do planeta. "Se você for a um concerto na Sala São Paulo, não verá um negro entre o público. Em toda minha vida escolar, nunca tive um colega de escola negro, embora grande parte da população seja de negros. Dedica-se à literatura apenas aquele que está alfabetizado e a maioria é de classe média para cima e vive em grandes cidades. Há, claro, exceções, como em tudo. Talvez o livro mais importante dos últimos 20 anos seja Cidade de Deus, de Paulo Lins: um negro que veio da periferia".
Se como disse o crítico literário Antonio Candido, no prólogo do famosoRaízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda, uma geração se caracteriza porque "seus membros nascem, a princípio, diferentes uns dos outros e, em pouco tempo, vão parecendo-se tanto que acabam desaparecendo como indivíduos", está claro que se pode falar de uma nova literatura entre os nascidos depois dos anos 1970, muito distante do regionalismo e dos costumes dos seus antecessores, depois da independência do país. Apesar do clichê do exotismo, a diversidade e a multietnicidade associados ao gigante sul-americano, a nova narrativa brasileira poderia estar ambientada em Paris, Londres e Madri e, de fato, está. "Se escrever histórias ambientadas em outros países fosse um problema, Shakespeare não existiria", assegura Carola Saavedra(Santiago de Chile, 1973), uma das escritoras jovens mais premiadas.
Prata e Saavedra são dois dos nomes mais interessantes do panorama atual em que estariam, entre outros, João Paulo Cuenca (Rio de Janeiro, 1978), Cristhiano Aguiar (Campina Grande, 1981), a poetisa e contista Luisa Geisler (Canoas, 1991), Emilio Fraia (São Paulo, 1982) ou Laura Erber (Rio de Janeiro, 1979), vários desses considerados estrelas emergentes pela edição que a prestigiada revista britânicaGranta dedicou ao Brasil e alguns que participaram da última Feira de Frankfurt, na qual o país foi o principal convidado.
"Há um grande desejo de se distinguir, de se afastar da geração anterior", disse Cuenca, eleito como um dos 39 melhores escritores latino-americanos com menos de 40 anos pelo Hay Festival da Colômbia e autor, entre outros, de Corpo Presente (Ed. Planeta, 2002) e A Última Madrugada (Ed. LeYa, 2012), e que combina a fascinação pela cultura japonesa com o compromisso social, chegando a promover na Internet o direito de manifestação, em meio aos protestos de junho de 2013. "Não sou o único que pensa assim. O que acontece é que o restante dos meus contemporâneos não são tão sinceros quanto eu, são muito mais políticos no pior sentido da palavra", aponta, com um espanhol perfeito (seu pai é argentino), salpicado de termos cariocas.
Antonio Prata. / RENATO PARADA
Com cinco obras publicadas e traduzidas, seu universo literário move-se entre a ficção científica e o suspense, entre Philip K. Dick, Allan Poe, Murakami e Orwell, entre a obsessão pelas redes sociais e as novas tecnologias e os escritores cariocas do século passado, embora, agora, a fronteira entre a realidade e a ficção esteja borrada. Seu próximo romance, que sairá este ano, chama-se A Morte de J. P Cuenca e tem um ar autobiográfico, com reminiscências de O Terceiro Homem, clássico de Carol Reed. "Acontece em 2008, quando a polícia descobre um cadáver em um edifício ocupado no centro do Rio. Carregava minha identidade e minha certidão de nascimento. A partir daí, contratei um detetive e reconstruí a história como um trama policial", disse o autor de O Único Final Feliz Para Uma História de Amor É Um Acidente (Companhia das Letras, 2010).
"Pluralidade é a palavra chave quando se fala de estéticas contemporâneas", assegura Cristhiano Aguiar que, com um único livro de contos (Ao Lado do Muro, Ed. Dinâmica, 2006), sacudiu a cena literária brasileira, ganhando o prêmio Osman Lins de contos no ano seguinte, e agora prepara vários ensaios sobre seus contemporâneos. "As grandes cidades são um cenário privilegiado de nossa ficção, apesar de alguns escritores também abordarem temas rurais ou do interior. Cada vez com mais frequência, mistura-se a erudição com gêneros considerados menores como a fantasia, o terror e a ficção científica. Em troca, o compromisso com o questionamento e a criação de uma identidade nacional é menor, ao menos se compararmos com as gerações anteriores", conclui.
Carola Saavedra. / TOMÁS RANGEL
Essa literatura cidadã dominada, como em outros países, pela chamada autoficção, a mescla de gêneros, o auge do conto, que tem uma larga tradição, e a narrativa fragmentada e episódica, própria das redes sociais, não apenas prejudica o compromisso, característico da chamada "geração 90", surgida nos anos, com nomes como Luiz Ruffato ou o próprio Lins, depois da ditadura militar de 1964 a 1985. Também rechaça uma rica e centenária tradição literária e vive em conflito entre a identidade e o cosmopolitismo, sinal dos tempos, sobretudo em países emergentes, como o Brasil, com 75% da sua população vivendo em cidades de mais de um milhão de habitantes. "Já houve uma grande ruptura com os anos 1970, que fechou um ciclo mais ou menos clássico da ficção e da poesia do século XX", disse Cristóvão Tezza, que por idade (61) e obra (seu livro O Filho Eterno, por exemplo, foi publicado em 2007) é quase um clássico. "Nos anos 1980 e 1990, houve uma espécie de hibernação de uma geração intermediária que seguiu novos caminhos, mas foi uma transição. A característica da nova literatura é a ruptura com a tradição clássica. Reflete claramente a nova realidade econômica, política e social do Brasil. Hoje, o país é profundamente urbano e tenta dialogar com a realidade internacional", assegura.
A esse processo precisa-se somar a aparição de uma classe média de 40 milhões de pessoas, a chamada classe C, inexistente há uma década, que exige um bem-estar maior, e cuja vitalidade contrasta com a impotência com a qual os políticos enfrentam os crescentes protestos sociais. "Essa tendência universalista e cosmopolita não tem por que ser vista como algo negativo, perda de identidade ou algo semelhante. Simplesmente, as exigências de hoje são outras", aponta Tezza.
Cristhiano Aguiar / MARIO MIRANDA
Muitos críticos acreditam que a melhor literatura que agora se escreve no Brasil é a feminina, mais tridimensional e completa, mais destruidora na hora de romper tabus. Há pioneiras, como Claudia Tajes (Porto Alegre, 1963), cujos romances (Vida Dura, Louco por Homem ou A Vida Sexual da Mulher Feia) dissecam a sexualidade brasileira, com muito humor, ou Beatriz Bracher (São Paulo, 1961), com Não Falei, sobre um professor torturado durante a Ditadura Militar, que abriu caminho para as mais jovens: Carol Bensimon (Porto Alegre, 1982), Tatiana Salem Levy (Lisboa, 1979), admirada pelo britânico Ian Mc Ewan, Andrea del Fuego (São Paulo, 1975), ou a própria Saavedra, cujo livro Flores Azuis (Ed. Companhia das Letras), uma espécie de ressurreição do gênero epistolar, em pleno século XXI, foi eleito em 2008 como o melhor pela crítica paulista, e que publica no fim de março O inventário das coisas ausentes. "Não vejo diferenças quanto à qualidade da escritora nem em relação à visibilidade, a não ser nos prêmios literários, nos quais a proporção costuma ser de oito homens para duas mulheres", disse Saavedra. "Estamos em um momento ótimo. Não porque a literatura está melhor agora que há 20 anos, mas porque é uma época bastante favorável para os autores, publica-se mais e inclusive há incentivos para traduções. No entanto, devemos lidar com um problema muito sério que é a falta de leitores. E para isso, seria urgente uma mudança em todo o sistema educacional do país".


FONTE: EL PAIS
Link AQUI

sábado, 11 de abril de 2015

Sobre Dalton Trevisam




http://cultura.estadao.com.br/noticias/literatura,livro-de-ensaios-sobre-dalton-trevisan-ganha-edicao-ampliada,1667653

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Garimpo


Garimpo, de Beatriz Bracher

Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea

Estudando os contistas pós-utopicos ou as novas formas
da Literatura Brasileira.

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