segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Começo este mês a colaborar regularmente num site criado por um ex-aluno extremamente talentoso: SOUL ART. Como não tenho tempo, propus-lhe contribuir com textos curtíssimos, em até 199 palavras apresentarei resenhas, análises críticas e etc, sobre libros, autores, filmes, fotografias, pinturas, designer, exposições etc. Por isso o título da coluna será - AS.199.PALAVRAS. O que parecia fácil resultou num esforço brutal de ser sintético e simultaneamente denso. Tento, não sei até que ponto alcanço. Para acessar clicar aqui. Embaixo, minhas duas primeiras contribuições:


[01]


UMA APRESENTAÇÃO. Gregos propagavam que aos quarenta trocamos de humores e sombra. Estou prestes a saber. Por enquanto atendo pelo nome de Eduardo Araújo. As palavras são do que vivo: trabalho de ler, escrever, ensinar. Contos, crítica, roteiros, alguma poesia, tudo escasso e ainda ilegítimo. Por isso publico em rede, em nuvens. Ensinar para mim é apresentação e esclarecimento das grandes e intricadas histórias (entrelinhas) dos autores (seus mistérios). Gosto de ordenar palavras num bom texto; e, quando posso, entortar a frase e o pensamento. Doutorado pela USP, professor universitário, de cursinho, realizador esporádico de cinema. Por causa disto, de gostar também de um pouco de tudo, escrevo aqui resenhas; sugestões de filmes, livros, peças, exposições, fotografia, artes de um modo geral. Tudo breve, as sempre 199 palavras e a vantagem de ser coluna curta, para não entediar possíveis leitores. No plano pessoal, pouco a dizer: não tive filhos, perdi amigos, formei pessoas, fotografo demais. De meu: muitos livros, filmes, um cão compartilhado e um blog chamado Revide. Ando gostando de viagens. Plagiário literário, reinvento-me ao escrever. Meio Brás Cubas, sinto-me estagnado, um tanto gordo, casmurro. Constante nos atrasos e adiamentos. Assim, fica esse texto de apresentação de AS.199.PALAVRAS.



[02]


BESTIÁRIO inaugura a prosa de Julio Cortázar. Traz sete contos. Em Casa tomada, estranhos invasores apavoram um casal de irmãos. Resignados, vão aprisionando-se cômodo a cômodo da casa, até a expulsão final por um inimigo nunca visto: culpa? Incesto? Revolução? Noutra história, o protagonista vomita regularmente coelhinhos que esconde e cria em pânico. Em “Ônibus”, cada passageiro carrega uma flor e ameaça com olhares satânicos a indefesa Clara. Mancuspias enlouquecem lentamente seus tratadores pela exigência ritualística de cuidados. Em Circe, um rapaz relata seu namoro com a sedutora e misteriosa Délia, moça que levou à morte todos seus pretendentes. No conto título, uma garota passa férias numa casa onde todos precisam se adaptar à presença ameaçadora de um tigre feroz. Argentino (acidentalmente belga), Cortázar se autoexilou em Paris. Na infância de menino triste, solitário, doente, tornou-se um gigante, voz cavernosa do ciclope de Ulisses. Dentes ruins, amante do boxe e do jazz, escrita para ele era luta. Nele, insólito e  fantástico se constroem por narradores não-confiáveis (esquizofrênicos?). O absurdo é descrito como kafkianamente natural. Doença, melancolia, desejo e violência explodem nas tramas, de forma poética e enigmática. Escorado no mistério, a normalidade do mundo se faz de ponta cabeça.

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