quinta-feira, 31 de março de 2011

"Empobrecimento da experiência ou Desprestígio da ficção"

(...)
A citação é providencial num tempo em que a imaginação na literatura parece gozar de um desprestígio crescente entre os leitores, mesmo entre os mais cultos. Não é preciso muito esforço para notar que não só os livros jornalísticos e as biografias mas também os romances "baseados em histórias reais" interessam mais os leitores do que as "obras de imaginação". O que prende o leitor a um livro em que há ambiguidade entre realidade e ficção é a realidade e não a ficção. A ficção, para ele, é a parte supérflua.

Numa recente oficina na periferia fiquei espantado com o desinteresse dos adolescentes por inventar histórias, po escrever ou contar histórias criadas nas suas próprias cabeças, por usar a imaginação, mas também por ler ou ouvir histórias inventadas, em oposição ao interesse de relatar e ouvir o relato de experiências reais. 

É uma tendência humanamente compreensível (de outra forma, se venderiam tantos romances quanto revistas de fofocas e de bastidores, que não se restringe à periferia degradada e coagida pela urgência de uma realidade implacável, assombrada pela violência mais imediata e pela falta de perspectiva, mas atinge também a parte em princípio mais letrada da população e não só brasileira. O assustador é que possa ser resultado e sinal de uma percepção cada vez mais empobrecida da imaginário. Como se toda "obra de imaginação" não estivesse de alguma forma ancorada na realidade e não a refletisse. Como se a imaginação fosse um elemento constitutivo e fundador da realidade, mas um artigo supérfluo. 

(...)
Bernardo Carvalho


[CARVALHO, Bernardo. O mundo fora dos eixos - crônicas, resenhas e ficções. Publifolha, São Paulo, 2005.] [pp. 122-123].
["Lobo! Lobo!"] 

sexta-feira, 18 de março de 2011

Lista dos cem melhores contos brasileiros, segundo Ítalo Moriconi

 De 1900 aos anos 30
1.        Memórias de ferro, desejos de tarlatana
2.        Pai contra mãe (Machado de Assis) - 19
3.        O bebê de tarlatana rosa (João do Rio) - 28
4.        A nova Califórnia (Lima Barreto) - 34
5.        Dentro da noite (João do Rio) - 43
6.        A caolha (Júlia Lopes de Almeida) - 49
7.        O homem que sabia javanês (Lima Barreto) - 55
8.        Pílades e Orestes (Machado de Assis) - 63
9.        Contrabandista (João Simões Lopes Neto) - 72
10.     Negrinha (Monteiro Lobato) - 78
11.     Galinha cega (João Alphonsus) - 85
12.     Gaetaninho ( Alcântara Machado) - 92
13.     Baleia (Graciliano Ramos) - 95
14.     Uma senhora (Marques Rebelo) - 100

Anos 40 e 50
Modernos, maduros, líricos
15.     Viagem aos seios de Duília (Aníbal Machado) - 107
16.     O peru de Natal (Mário de Andrade) - 125
17.     Nhola dos Anjos e a cheia do Corumbá (Bernardo Elis) - 131
18.     Presépio (Carlos Drummond de Andrade) - 137
19.     O vitral (Osman Lins) - 141
20.     Um cinturão (Graciliano Ramos) - 144
21.     O pirotécnico Zacarias (Murilo Rubião) - 147
22.     Gringuinho (Samuel Rawet) - 153
23.     O afogado (Rubem Braga) - 156
24.     Tangerine-Girl (Rachel de Queiroz) - 159
25.     Nossa amiga (Carlos Drummond de Andrade) - 165
26.     Um braço de mulher (Rubem Braga) - 169
27.     As mãos de meu filho (Erico Verissimo) - 173
28.     A moralista (Dinah Silveira de Queiroz) - 180
29.     Entre irmãos (José J. Veiga) - 186
30.     A partida (Osman Lins) - 190

Anos 60
Conflitos e desenredos
31.     A força humana (Rubem Fonseca) - 195
32.     Amor (Clarice Lispector) - 212
33.     Gato gato gato (Otto Lara Resende) - 220
34.     As cores (Orígenes Lessa) - 224
35.     A máquina extraviada (José J. Veiga) - 229
36.     O moço do saxofone (Lygia Fagundes Telles) - 233
37.     Feliz aniversário (Clarice Lispector) - 239
38.     O homem nu (Fernando Sabino) - 249
39.     O vampiro de Curitiba (Dalton Trevisan) - 252
40.     A mulher do vizinho (Fernando Sabino) - 256
41.     Uma galinha (Clarice Lispector) - 258
42.     Menina (Ivan Angelo) - 261
43.     A caçada (Lygia Fagundes Telles) - 265
44.     O burguês e o crime (Carlos Heitor Cony) - 270
45.     Uma vela para Dario (Dalton Trevisan) - 279

Anos 70
Violência e paixão
46.     Passeio noturno - Parte I e II (Rubem Fonseca) - 283, 285
47.     A morte de D.J. em Paris (Roberto Drummond) - 290
48.     Aí pelas três da tarde (Raduan Nassar) - 310
49.     Felicidade clandestina (Clarice Lispector) - 312
50.     O elo partido (Otto Lara Resende) - 315
51.     A estrutura da bolha de sabão (Lygia Fagundes Telles) - 325
52.     O peixe de ouro (Haroldo Maranhão) - 330
53.     Gestalt (Hilda Hilst) 332
54.     Feliz ano novo (Rubem Fonseca) - 334
55.     Correspondência completa (Ana Cristina Cesar) - 341
56.     Fazendo a barba (Luiz Vilela) - 345
57.     Sem enfeite nenhum (Adélia Prado) - 349
58.     A balada do falso Messias (Moacyr Scliar) - 352
59.     La Suzanita (Eric Nepomuceno) - 358
60.     Porque Lulu Bergantim não atravessou o Rubicon (José Cândido de Carvalho) - 362
61.     A maior ponte do mundo (Domingos Pellegrini) - 364
62.     Crítica da razão pura (Wander Piroli) - 374
63.     A porca (Tânia Jamardo Faillace) - 379
64.     O arquivo (Victor Giudice) - 382
65.     Guardador (João Antônio) - 385

Anos 80
Roteiros do corpo
66.     O vampiro da Alameda Casabranca (Márcia Denser) - 393
67.     Um discurso sobre o método (Sérgio Santanna) - 402
68.     Alguma coisa urgentemente (João Gilberto Noll) - 416
69.     Idolatria (Sérgio Faraco) - 423
70.     Hell's Angels (Márcia Denser) - 426
71.     Bar(Ivan Angelo)- 434
72.     Aqueles dois (Caio Fernando Abreu) - 439
73.     Intimidade (Edla Van Steen) - 447
74.     I love my husband (Nélida Pifion) - 451
75.     Toda Lana Turner tem seu Johnny Stompanato (Sonia Coutinho) - 457
76.     King Kong x Mona Lisa (Olga Savary) - 464
77.     Flor de cerrado (Maria Amélia Mello) - 466
78.     Obscenidades para uma dona-de-casa (Ignácio de Loyola Brandão) - 471
79.     O santo que não acreditava em Deus (João Ubaldo Ribeiro) - 478
80.     O japonês dos olhos redondos (Zulmira Ribeiro Tavares) - 488
81.     Vadico (Edilberto Coutinho) - 497
82.     Linda, uma história horrível (Caio Fernando Abreu) - 502
83.     Os mínimos carapinas do nada (Autran Dourado) - 510
84.     Conto (nãoconto) (Sérgio Santanna) - 518

Anos 90
Estranhos e intrusos
85.     A Confraria dos Espadas (Rubem Fonseca) - 525
86.     Estranhos (Sérgio Santanna) - 529
87.     Nos olhos do intruso (Rubens Figueiredo) - 540
88.     O anti-Natal de 1951 (Carlos Sussekind) - 544
89.     Olho (Miriam Campello) - 548
90.     Zap (Moacyr Scliar) - 555
91.     Days of wine and roses (Silviano Santiago) - 557
92.     A nova dimensão do escritor Jeffrey Curtam (Marina Colasanti)
93.     Jardins suspensos (Antonio Carlos Viana) - 571
94.     O misterioso homem-macaco (Valêncio Xavier) - 574
95.     Dois corpos que caem (João Silvério Trevisan) - 579
96.     Conto de verão n2 2: Bandeira Branca (Luis Fernando Verissimo)
97.     Por um pé de feijão (Antônio Torres) - 586
98.     Viver outra vez (Márcio Barbosa) - 588
99.     Estão apenas ensaiando (Bernardo Carvalho) - 592
100.  O importado vermelho de Noé (André Santanna) - 596
101.  15 Cenas de descobrimento de Brasis (Fernando Bonassi) – 604

Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século [Italo Moriconi, Editora Objetiva, 2000]

Sonetos que não são

Aflição de ser eu e não ser outra.
Aflição de não ser, amor, aquela
Que muitas filhas te deu, casou donzela
E à noite se prepara e se adivinha

Objeto de amor, atenta e bela.
Aflição de não ser a grande ilha
Que te retém e não te desespera.
(A noite como fera se avizinha.)

Aflição de ser água em meio à terra
E ter a face conturbada e móvel.
E a um só tempo múltipla e imóvel

Não saber se se ausenta ou se te espera.
Aflição de te amar, se te comove.
E sendo água, amor, querer ser terra.

Hilda Hilst

in Roteiro do Silêncio (1959)

quarta-feira, 16 de março de 2011

Uma questão de gosto


Ensaio sobre a canção "Vamos comer Caetano", de Adriana Calcanhotto

http://www.adrianacalcanhotto.com/sec_textos_list.php?id_texto=215

domingo, 13 de março de 2011

Contos de Fernando Bonassi

PAIS E FILHOS

 

- Mãe... Por que tem tanto mosquito?
- Tira a mão daí.
- Se eu tirar vem mosquito, mãe.
- Tira a mão daí já!
- A senhora ainda tá brava com ele?
- Não, acho que não.
- Então por que a gente não tira ele daqui?
- Não sei...
- A gente podia pôr ele no quarto.
- Não. Não quero mais ele lá.
- Mãe... o papai não vai acordar?
- Não, acho que não.
(100 coisas)

094  paisagem com remédios

Na Baixada do Glicério um prédio inacabado foi conquistado por sofás velhos, encerados puídos, cachorros e pessoas vira-latas. Muito perto, o entreposto do Inamps bafeja uma fumaça de  remédios vencidos. Filas e filas de receitas médicas encardidas, empunhadas as orações. Gosmentos de vergonha das suas sujeiras, os engenheiros cobrem o Tamanduateí com placas de concreto. Deixarão correr uma autoestrada moderníssima por cima. Os meninos vão rachar a cabeça nessas pistas lisinhas. Quem viver verá na TV. (São Paulo – Brasil – 1993)

098 rodeio

Ezequiel voou parafusado. Quando estava de boca pro céu, as estrelas e as luzes da arena formaram um telegrama manchado nos seus olhos. Bateu chapado no chão. Ouvido apitando. Deu até vontade de rir...  Mas não é que o touro desceu com uma pisada tão forte que as costelas se esmigalharam por cima do coração?! Foi  menos que suspiro e mais que dolorido. Ele ainda levantou o chapéu e batendo a poeira das calças! Ezequiel, esse insistente... Os  braços valeram pra isso. Mas também só pra isso, porque ao cair de novo já foi de cara... e completamente morto. (Barretos – Brasil – 1996)

003 Turismo ecológico

Os missionários chegaram e cobriram das selvagens o que lhes dava vergonha. Depois as fizeram decorar a ave-maria. Então lhes ensinaram bons modos, a manter a higiene, e lhes arranjaram empregos nos hotéis da floresta, onde se chega de uísque em punho. Haveria uma lógica humanitária exemplar no negócio, não fosse o fato das índias começarem a deitar-se com os hóspedes. Seus maridos, chapados demais, não sentem os cornos. De qualquer maneira, todos levam o seu. Só mesmo esse Deus civilizador é quem  parece ter perdido outra chance. (Cuiabá – Brasil – 1995)

015 índios aprendem depressa

Índios não têm anticorpos ou cabides. Índios não acreditam que o sol vai nascer amanhã, necessariamente. Índios têm tesão na lua e dificuldades pra se matar, porque desconhecem nossa experiência no assunto. Índios pagam o dobro por uma calça Lee. Índios cozinham macacos e jogam a pele fora. Índios ficam fascinados com embalagens. Índios fazem cachaça de qualquer coisa. Índios fazem de tudo na frente uns dos outros e na hora que têm vontade... mas os índios aprendem depressa e, se antes davam suas filhas de presente, agora começam a cobrar por isso. (Cáceres – Brasil – 1987)

 076 êxodo rural

É uma cidadezinha. O comércio funciona na casa das pessoas. Por que abrir loja? Se troca arroz por porco-do-mato, macaco por camisa, uma família de rede por uma canoa de casca... O médico que não entender um pouco dessas ervas que crescem por aí nem precisa parar. Defender criança de enxame de marimbondos é o máximo de ação que os PMs podem encontrar. A gente tem dois. Em turnos de 12 horas. Sábado e domingo, também. Eles não se importam. Moram na rua de trás. É uma cidadezinha. “Zinha” mesmo... tanto que na primeira chance, por pior que seja, a turma se manda. (Sumidouro – Brasil – 1997)

Dez definições:

Verdade é uma opinião mais sensível num instante determinado. Mentira é uma opinião menos necessária por mais tempo. Arte é o que acontece, porém com algumas modificações pra quem não tem paciência de sair de casa e viver a sua própria vida. Diplomacia é uma boca-livre entre dois países críticos, seus smokings, uísques e dúvidas protocolares. Peixes são minerais ativos que rebolam dentro d'água. Moda é um vestido de uma noite. Família é um conjunto de pessoas que não têm dinheiro pra pagar, cada uma, seus malditos aluguéis. Deus é um pai ausente que nunca teve mãe. Mãe é uma gaiola com pé-direito bem grande, cercada de algodão por todos os lados. Vida é isso daqui mesmo, por incrível que pareça...3

Viatura

Armada até os dentes cariados dos ocupantes fardados e cheia de autoridade delegada, cruza a cidade em ruínas a viatura. Nos bairros chiques será vista apressada, trafegando pela esquerda, esnobando os importados mais velozes. Mas não se iludam os comunistas, que a revolução terá no camburão o cassetete que merece. E onde os faróis alcançam, penetrando recônditas periferias, abre as sirenes sobre nós, cidadãos civilizados por carteiras profissionais e salários criminosos (estes sim, nossas piores condenações). Aliás, quase mortos, quase porcos, acabamos no chiqueirinho.

Voz de prisão

Mãos pra cima! Você está preso em nome da lei. Tem todo o direito de ficar quieto. Qualquer coisa que você disser pode ser usada contra você. Tudo o que você disser será usado contra você. Se você não disser nada, seu silêncio será usado contra você. Se você se mover, seu gesto poderá ser interpretado como desacato à autoridade ou agressão. Se você ficar imóvel, sua imobilidade poderá ser interpretada como resistência à prisão. No distrito você poderá usar o telefone pra chamar advogado. Odiamos advogado no distrito que não seja o próprio delegado. O telefone do distrito não funciona.

Canção do exílio

Minha terra tem campos de futebol, onde cadáveres amanhecem emborcados pra atrapalhar os jogos. Tem uma pedrinha cor-de-bile que faz “tuim” na cabeça da gente. Tem também muros de bloco (sem pintura, é claro, que tinta é a maior frescura quando falta mistura) onde pousam cacos de vidro pra espantar malandro. Minha terra tem HK, AR15, M21, 45 e 38 (na minha terra, 32 é uma piada). As sirenes que aqui apitam, apitam de repente e sem hora marcada. Elas não são mais as das fábricas, que fecharam. São mesmo é dos camburões, que vêm fazer aleijados, trazem intranqüilidade e aflição.

Brasil, país do futuro

Um homem de marca-passo a microship usa celular e encomenda cocaína desde o seu 48 válvulas. A seis quilômetros do condomínio fechado, o dispositivo de ondas curtas sob a tampa do motor selado avisa a portaria, que prepara a segurança. Ao chegar, o proprietário é identificado por infravermelho e o primeiro estágio do portão abre-se velozmente. Fecha-se. O cartão magnético introduzido na fenda abre o segundo estágio. O homem entra, acompanhado pelas câmaras do circuito interno de TV até a porta de casa. A encomenda, 80% de pureza, chega 10 minutos depois.
 (São Paulo – Brasil – 1997) (Bonassi 2001: 48)

Escola

Viaturas circulando a meio pau. No mínimo um 32 pra cada 1,2 habitantes passados em revista. Pó, mato & pedra. Grades nas janelas. Cadeados nos portões. Armários arrombados (vazios). Portões de chapas 3mm com recheio de compensado de 15. Um mapa ultrapassado da velha Europa de orelha na parede. Dois Brasis com um só Mato Grosso feitos de papel crepom esmagado. Tabela periódica antes do lítio. Desconfiança é pouco. Cartaz do corpo humano (músculos). Os mais escrotos dizeres e desenhos entalhados nas carteiras, onde garotos e garotas pousam sonolentos (Bonassi 2000: 93).

O juiz

Tenho cargo. Tenho poder. Tenho a lei. Tenho sobrenome. Tenho motorista. Tenho manobrista. Tenho hérnia. Tenho datilógrafas. Tenho descontos. Tenho clientes. Tenho salário. Tenho crédito. Tenho ajuda de custo. Tenho verba de representação. Tenho segurança. Tenho saco pra tudo, desde que cifrado nos autos. Minha toga lavo escondido dos outros, entre  os meus iguais. Tenho o direito. Tenho presentes (não tenho passado). O futuro, ao Supremo pertence. Se me ofendo, meto um processo pra escapar disso tudo. Data vênia: quanto à justiça, favor reclamar com bispo comunista, ou exército golpista.

Definição de máfia

Máfias são compostas por grupos de pessoas, como qualquer família. Máfias são compostas por grupos de pessoas ligadas por interesses financeiros, como qualquer organização bancária. Máfias são compostas por grupos de pessoas ligadas por interesses financeiros, em questões de  vida e morte, como qualquer empresa de seguro-saúde. Máfias são compostas por grupos de pessoas ligadas por interesses financeiros, em questões de vida e morte, nas quais os diversos grupos existentes exercem seu poder por meio de extorsão e violência, como qualquer governo civilizado. 

terça-feira, 1 de março de 2011

Morre Moacyr Scliar (Revista Época)


O escritor gaúcho Moacyr Scliar, de 73 anos, morreu na madrugada deste domingo (27) no Hospital de Clínicas em Porto Alegre, por falência múltipla de órgãos devido às consequências de um acidente vascular cerebral (AVC). Ele sofreu o AVC em 17 janeiro, quando se recuperava de uma cirurgia no intestino.
O velório ocorre nesta domingo, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, a partir das 14 horas. O sepultamento será na segunda-feira, em cerimônia fechada a familiares e amigos.

Biografia de Moacyr Scliar

Moacyr Jaime Scliar nasceu em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, em 23 de março de 1937. Filho dos imigrantes judeus José e Sara Scliar, oriundos da Bessarábia (Rússia), Scliar cresceu no bairro Bonfim, tradicional reduto judeu na capital gaúcha. Foi alfabetizado pela mãe, que lhe deu o nome de Moacyr após ler o romance Iracema, de José de Alencar. No final da década de 40, transferiu-se para um colégio católico, onde fez o curso ginasial.
Em 1962, publicou seu primeiro livro, Histórias de um Médico em Formação, um apanhado de contos sobre sua vida de estudante de medicina. Formou-se médico no mesmo ano. Em 1963, começou a trabalhar como médico fazendo parte do Serviço de Assistência Médica Domiciliar e de Urgência (SAMDU) de Porto Alegre. Casou-se, em 1965, com Judith Vivien Olivien, com quem teve um filho, Robertto.
O livro de contos O Canavial das Animais, sua segunda publicação, é de 1968. Aliás, Scliar considerava essa obra sua verdadeira estreia no mundo da literatura. Autor de mais de 70 livros e eleito para a Academia Brasileira de Letras (ABL) em 2003, Scliar recebeu diversos prêmios ao longo de sua carreira, sendo o último, o Jabuti, por Manual da Paixão Solitária, em 2009. Seus livros estão traduzidos em 12 idiomas. Entre suas obras mais importantes estão O Exército de um Homem Só (1973), O Ciclo das Águas (1975), O Centauro no Jardim (1980) e A Estranha Nação de Rafael Mendes(1983). 

Suas obras trazem temas como a realidade social da classe média brasileira, a medicina e o judaísmo, muitas vezes com um flerte com um imaginário fantástico. 

Além dos livros, Scliar foi colaborador dos jornais Zero Hora e Folha de São Paulo. Teve textos adaptados para a televisão, teatro e cinema. Foi professor visitante da Brown University (Departament of Portuguese and Brazilian Studies) e da à Universidade do Texas.

Em outubro do ano passado, com a eleição de Dilma Rousseff, Scliar escreveu, a pedido de ÉPOCA, qual seria o desafio da nova presidenta:
"O desafio do próximo presidente será transformar o Brasil num país leitor. Isto compreende: 1) completar a erradicação do analfabetismo, inclusive o chamado "analfabetismo funcional", pelo qual a pessoa, mesmo alfabetizada, não consegue ler e compreender um texto; 2) colocar o texto ao alcance da população, seja sob a forma de livros impressos seja sob a forma de livros eletrônicos; 3) reforçar o papel da escola na formação e motivação de leitores; 4) implementar o conceito de "famílias leitoras", da Unesco, através do qual os pais estimulam os filhos a ler."

Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea

Estudando os contistas pós-utopicos ou as novas formas
da Literatura Brasileira.

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